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Da primeira vez que eu ganhei uma música.

Talvez seja uma coisa pequena para você, e nem fique na lembrança. Mas foi você quem primeiro me deu uma música de presente. Dizia que o refrão fazia lembrar de mim e dizia: minha, minha, minha J.
Em que o J. era eu, evidentemente. Um outro nome, uma outra vida.
Você se foi e não era para ser, eu gosto de acreditar.
Embora a gente tenha que viver com o "e se" daquele que escapou, eu acho, até o fim da vida.
Gosto da música até hoje e escuto, sem lamentos.
Ela é bonita
E doce
E triste, tão triste. Era tristeza que eu trazia no coração, naquele tempo, tão longe?
Provavelmente, com essa melancolia de pelúcia que carrego no colo desde que eu me lembro, havia uma luz de tristeza que você podia ver?
Ou, sou eu, que pensando nisso depois, amarro os sentidos?
Depois, entreguei meu coração e meu mundo algumas vezes.
Mas não ganhei uma música, então, era a sua que eu ouvia quando estava triste. Ela era minha e não um símbolo do que não foi. Apenas minha.
Até, que depois de algum, ou de muito tempo, eu ganhei uma música.
Na verdade, uma música para dois.
E depois eu dei outra música
e outra
E os poemas.
Não tinham um dono só. Eram coisas para celebrar o nós que éramos.
E agora, que aprendo a ser sozinha, eu me pergunto quem era aquela, primeira, que nunca tinha ganho uma música.
Uma parte de mim gostaria de encontrá-la. Não para lamentar, nem para avisar, nem nada.
Apenas para lembrar melhor do que se perdeu.
Pq o que recebi em troca, eu vou lembrar, sempre.

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