domingo, 29 de janeiro de 2012

meias verdades

Ás vezes, queria poder explicar essa necessidade
Essa imensa necessidade que eu tenho
de me esconder.
Queria que houvesse um desenho
Ou palavras certas.
Mas, eu sei, com uma espécie de certeza inexata
Que se eu contar
Vai dar para ver a dor em meus olhos.
Deuses, parece que eu sou apegada a ela, ás vezes
Como aqueles amores doentes, e amarelos, que pulsam, infeccionando tudo.
Tudo que eu queria é que a dor fosse embora.
E as vezes eu minto
E as vezes eu sorrio
E as vezes eu nada.
Não quero me afogar na escuridão.
Não quero mais ouvir os banshes no meu ouvido.
Mas, ao mesmo tempo, eu sei que ela está aqui
ao alcance de uma respiração.
E eu sumo
Normalmente, por que o peso é demais
E ninguém pode me ver de joelhos.
Entenda, eu sei.
O meu egoismo é o pior.
Mas falar, deixar que se veja.
É só dar realidade, a algo que eu queria sumido.
E vou quebrando aos pouquinhos
até que um de nós suma primeiro.
Não desista de mim.
Especialmente quando eu preciso brincar de desaparecer.
Se você não ver
Será verdade
e nem a ninfa, aquela, o eco
vai poder me encontrar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sobre uma senhora

E a senhora das areias andava bem coberta.
Sabia cantar, mesmo quando não falava
Seu olhar cantava.
Andava sem olhar para trás.
Um dia, lágrimas turvaram seus olhos.
Quando as lágrimas secaram, a senhora
rasgou-se
trepidando
Agora estava nua.
E correu
Quando as areias chegaram, partiam-lhe a pele
A senhora abriu os braços
E encarou seu manto.
Nunca mais deixou pegadas.
Respirando areia tépida, deixou de cantar.
A senhora ouvia, observava.
E sorriu.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

achados do baú.

Qdo quis fugir ela dormiu, olhando para a caixa.
E era alto, como naquele filme
e dolorido também.
Mas ela não queria admitir q mentira para si mesma.
E aceitou, como quem pára em si mesmo.
Era um bom exercício, quase um jaburu de forma humana.
Um daqueles
daqueles q pouco voam

domingo, 14 de agosto de 2011

rápido e rasteiro.

E se existisse um só desejo de sabedoria possível eu pediria que a distância entre o que se sabe e o que se deseja fosse mínima.

(foi isso que escrevi no último bilhete para o guardião cego. Quero crer q ele riu)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

textículo

A questão é... ser frágil dá muito, muito trabalho.
É um peso muito grande, que todo mundo quer carregar.
No fim, ficam só jogando esperanças, projeções e afins...
em cima da sua pobre bagagem, que parece leve.
É por isso que não sou frágil.
Por hoje, e por nunca mais.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

...

E veio o mel, cobrindo tudo com o doce e dourado...
Para lembrar que o que vale a pena
é difícil
leve
e brilha, dentro, bem dentro,
onde o que mais importa mora.
E veio o mel, zumbindo, com todos os pequeninos seres
e ele iria embora, se existisse medo.
e tudo ficou doce.

terça-feira, 3 de maio de 2011

30 Day Song Challenge... Day 2

Base original aqui: veja

(putz, me lembrei da revista que eu odeio. Enfim, tudo bem. O dia 2, que está atrasado, mas... há razão, que não a preguiça: fui para salvador no fim de semana, e é sempre épico ir para lá. Como um grande exame antropológico de mim mesma)

day 02 - your least favorite song.
Eu odeio. Eu detesto. A música que toca no meu inferno pessoal, que é sempre gelado. Last favorite não é suficiente... ódio irrestrito é melhor.
É a barata, do só para contrariar.
Odeio. De-tes-to... eca

sexta-feira, 29 de abril de 2011

30 Day Song Challenge... Day 1

Aí eu vi essa série no Blog do Hobbit. ( O Enrique, que escreve muito melhor que eu. E é sério, e ele nem sabe que eu ia escrever isso, então, aproveitem a viagem e vão lá...)


E aí não fica ninguém aqui... iada, iada.


E daí eu vi essa série no blog do Enrique e eu fui lá curtir no facebook, por que, né? Tudo a gente curte no facebook e eu tava feliz, e eu ia passar trinta dias escrevendo sobre música e...
PÂNICO
TERROR, pessoas.
Juro!
Qual é mesmo a minha música favorita? Assim... favorita, favorita, definitiva e para sempre. Afinal, como bem disse o hobbit, Porque a canção favorita é importante. É o centro do universo musical da pessoa. 
E eu levo isso a sério, levo mesmo. Música para mim é tão necessária quanto o ar. E eu "cantava"para a minha pessoa no berço, quando não tinha ninguém por perto, com a minha chupeta (E os pais não são maravilhosos enxergando arte e genialidade em ruído??? Não são???)
Enfim, música é importante, para mim. É a sensação que sobrevive, é o sentimento que você pode pensar sem matar, é o alento para os meus dias de vento frio no coração... (E esses também, quanto mais trabalho há, mais se acumulam)
Mas eu tive muitas músicas preferidas, como a Mercedez Sosa, quando eu tinha tres anos, e depois a Clara Nunes e o Ney Matogrosso, que eu queria que fosse meu pai, e eu passei a adolescência inteira apaixonada pelo Caetano Veloso... e sentia um prazer noob, em conhecer músicas desconhecidas dele, como "Vampiro"...  E eu carreguei minha mãe a um show do Alceu Valença, quando eu tinha treze anos e todo mundo queria ver o polegar.
E eu deixei o meu pai doente de preocupação por que, aos 15, só ouvia Beethoven... e Bach. E Paganini. E pq pouco tempo antes, quando eu tinha 10, ou 11, eu passei uma semana toda vestindo rosa, e eu nem gostava de rosa, para ganhar um k7 do Ultrage a Rigor, que o meu pai temia que não fosse uma boa influência. (ele achava que não era música de menina).
E eu fui gostando de todas elas.
E veio o metal. E o Iron, e o Death, e o Lacuna Coil. E eu chorei, emocionada mesmo, quando assisti o Blind Guardian ao vivo. E cantei todas as músicas e guardo todos os cds como preciosidades. E eu passei por todo o Brock. E fui em todos os shows do paralamas que eu pude, e briguei com gente que não gosta de engenheiros, e descobri Cazuza muito depois, só para fazer as pazes com uma parte de mim.
E eu podia escrever esse texto para sempre, só para falar de música latina, de tango, e até de velhas virgens, e de mägo de oz. Ou de Cruachan e Loreena. Ou de como a Rita Lee coloriu minha noite, quando eu saí, sozinha, na madrugada curitibana, para ficar comigo mesma e com a lembrança da Rita, ao vivo, de 64 anos, na porta do Guaíra.
Mas e qual é a minha música preferida?
Por muito tempo, foi uma desconhecida. Um girassol da cor de seu cabelo. Mas essa, eu dividi com alguém, e agora, essa lembrança me traz um desassossego no coração. Não consigo pôr ela em looping no Mp3 e não gostaria de pensar que o lugar dela é o meu umbigo musical.
O centro.
E daí é que eu escolhi afinal.
A música que me coloca no lugar, que eu ficaria para sempre, não sem lamentar por escolher uma só. A música que tem um verbete na wikipédia só para ela. (Não é a única, reconheço) Mas é tão genial que a mente e o coração ficam felizes com a escolha.
Um grande clipe dadaísta, a primeira vez que eu ouvi ela imaginei o Salvador Dali, rindo, em uma roda de figuras mentais. E George, no meio, com a mão nos joelhos, Cool, o mais legal dos Beatles sorrindo para mim.
Eu sou a morsa
E essa música diz que meu coração pode voar e ser criança para sempre.




I am he as you are he as you are me
and we are all together



Vai lá na wikipédia, incrédulo.

PS:Não, eu não estou fazendo apologia as drogas. LSD tinha função social naquela época, e eu faço história e sou chata e vc não vai me convencer. Gosto mesmo é da idéia de sacanear quem tenta interpretar a música.
PS: Quanto ao cazuza, eu achava um castigo ser ariana, antes dele. =D

sexta-feira, 18 de março de 2011

em março

A verdade é que queria escrever um texto revolucionariamente bonito
tocante, cheio de contradições
e dores
e fios de navalha
e sorrisos
e gozo
mas eu tenho medo
que nao seja verdade, ou
que se for
ela não dure o suficiente.


Ok, confesso. Ando lendo Sylvia Plath.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Eddie Vedder - Forever Young (Boston '06)

Forever Young

May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

Pq todo mundo precisa de Bob Dylan.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

música, anseios, paixões.



Elegia
Deixe que minha mão errante
Adentre atrás, na frente,
Em cima, em baixo, entre
Minha América
Minha terra a vista
Reino de paz se um homem
Só a conquista
Minha mina preciosa
Meu império, feliz
De quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão
Me selo gravo
Nudez total
Todo prazer provém do corpo
Como a alma em seu corpo
Sem vestes, como encadernação cristosa
Feita para iletrados
A mulher se enfeita,
Mas ela é um livro místico
E somente a alguns a que tal graça
Se consente é dado lê-la.
Eu sou um que sabe. 


Quando eu era muito jovem, amava o Caetano com devoção. Ele foi o meu James Dean, antes que eu soubesse quem era James Dean, e muito, muito antes q eu soubesse  de desejos, de calores ou de coisa que o valha.
E foi também uma música que me acompanhou na primeira vez que eu bringuei de me apaixonar, há mais de dez anos. Ouvia elegia e vampiro, também do Caetano esperando as borboletas no estômago.
Acabou que concordei com outro cantor, o Cazuza: "o nosso amor a gente inventa, prá se distrair... E quando acaba a gente pensa, que ele nunca existiu".
Mas não o amor pela música.
Essa, na verdade, adaptada de um poema de John Donne trouxe mais um poeta a minha busca incessante por lirismo. Mas prefiro o Donne sensual e não o religioso.
E agora, elegia vem, de novo, como epifania.
Quantas pessoas podem dizer que já foram "lidas"como Donne escreveu?
Mulher, homem, o que seja?
Quero me apaixonar, Caetano, e explorar o outro como um livro. E ser lida como um. Nada como as conexões do tio bauman, quero os anseios do século XVI. Um tipo de respeito que eu nunca recebi.
Será que ainda existe?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

sparks

E hoje um filme idiota traduziu o mais antigo dos anseios.

Eu desejo ser suficiente para alguém.

Nunca fui.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

letra primeira

Eu olho para vc
e vc ri
As, vezes, e só as vezes, consigo embarcar
como se seu jeito de menino
me deixasse mais leve
Sabes que usa ele como escudo, tb?
Aí, são apenas tapas infantis
com sua parcela de devastação
e o perdão que as crianças
imputam a seus atos.

Tentas irritar-me, e não consegue.
De fato, ninguém consegue
mas esse é o meu segredo de menina frágil
Irritada, fico uma vez só
e sumo

Mas brinco de sumir, também
como qualquer homem
com medo das correntes imaginárias que
insiste em tecer
Como se advinhasse meus sonhos.
Sim, eu sei
eu sou mulher... mas homem o suficiente para quase nunca procurar
quase...
é aí que me traio

A mulher que atrai o beija flor que tu és
e que nunca vai deixar de achar
que é só passatempo
falta do que fazer
vazio...

Eu respeito o vazio...
de fato, respeito, porque o tenho marcado
em brasas
na carne

Mas tenho que carregar o escudo, sabes?
Ou vai encher meu vazio com o barulho de suas asas
de beija flor
e aí, estarei de novo perdida.

Eu sei voar, mas não sei sair do chão.

Insisto na dança desencontrada. Sem saber
se em suas asas
há castigo
ou prêmio.

A mulher que há em mim por hora... quer devorar o beija flor
que me mostra entre sorrisos...

Mas na mesma hora, a mesma mulher... deseja correr para sempre.
Longe.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Era uma vez

Um cara que alisava os próprios fracassos como se fossem veludo.
Só para dizer
que sempre soube
que de nada adiantaria.

Era uma vez
Uma guria, tadinha.
Brincava de forte, mas era só disfarce
Tinha medo que enxergassem o vazio.

Era uma vez uma menina
vivia a fazer perguntas
e a se magoar
O mundo era feito para negar as respostas.

Era uma vez, e outra
e foi-se

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

quem sabe?

o caetano disse:

Sem correr
Bem devagar
A felicidade voltou para mim
Sem perceber
Sem suspeitar

Assim, quando me chamas p/ correr, desconfio...
é assim que sou
sopro e
assobio

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desejo de ano novo.

Eu tinha uma mensagem enorme p/ acompanhar, mas resolvi ficar mudinha...
Aos que eu amo, que amei, que odiei, enfim, aos que importam, é o que eu desejo.
O assovio de ser livre.

Boas festas para quem é de festas.