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Diversão de fim de noite.

Pé ante pé
Quando todos dormem
Madrugando irresponsavelmente
(se tiver acordado tarde e passado o dia fora de horário melhor)
Soberana no silêncio, como um gato.

Tinja os dedos de vermelho, vivo, doce.
Um pouco acre até
Mas de olhos fechados
Deixando aos dedos a tarefa de tatear, em meio ao frio
E depois, agradeça, a qualquer Deus, aos deuses todos
(ou ao mercado mais próximo)
Por que afinal, existem as cerejas

Termine lambendo os dedos como criança. Sugando todas as gotas irrefletidamente
Feio

Delicioso
E real...

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Para vc, para sempre

Depois que você se foi, tenho medos e vazios. Os vazios, óbvios Para quem viveu tal intensidade e tal certeza Muitas vezes ao dia eu choro, só pq você não está lá, seja para pegar minha mão seja para me dar uma bronca Seja para te ouvir respirando de madrugada e saber que estava tudo bem Ao mesmo tempo, tudo parece um pouco irreal. Como se de algum modo minha cabeçca continuasse te criando As pessoas dizem que a vida pode ser re construida e é mentira, Pq a pessoa que eu era morreu quando vc morreu indelevelmente Só existe uma outra vida que eu vivo agora não há escolha. E as pessoas me dizem para encontrar outro alguém mas eu só consigo pensar que essa pessoa nunca seria perdoada por não ser quem vc era. e eu nem saberia como pedir desculpas.

Texto para Enki.

Fui à biblioteca do lugar onde trabalho, hoje. Eu evito ir até lá, pois, a contrariar com o estigma das bibliotecas, eu acho que esta é muito barulhenta. Um burburinho enxameado (já contei que tem um livro me fazendo perdoar as abelhas?) permeado por mais burburinho, numa espécie de looping infinito ecoando pelas paredes. É engraçado que no prédio antigo a biblioteca era uma bolha de silêncio e concentração. Eu SEMPRE fugia para lá. Mas nessa, não funciona assim, então, eu fujo para as árvores, ou para minha sala. Mas, hoje ao ir para lá, ela me recebeu com mais silêncio do que das outras vezes. Lembrei, portanto, o quanto eu gosto das bibliotecas e fiquei por lá, acarinhando as paredes e mantendo contato com todos aqueles livros juntos. Gosto de visitar bibliotecas com o espírito de exploração, como quando fazemos visitas as livrarias. Tiro os livros inimagináveis das estantes, olho os índices, folheio. Amigos em potencial, é o que são, a espera que alguém os veja e dialogue com eles...

canção da madrugada

A lua girou, girou Traçou no céu um compasso A lua girou, girou Traçou no céu um compasso Eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços Eu bem queria fazer... Travesseiro dos meus braços Só não faz se quiser Um travesseiro dos meus braços Só não faz se não quiser... Sustenta palavra de homem Que eu mantenho a de mulher Sustenta a palavra de homem... Que eu mantenho a de mulher A lua girou, girou Traçou no céu um compasso A lua girou, girou Traçou no céu um compasso Eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços Eu bem queria fazer...